Tenho saudade. Não de ti, mas daquilo que significavas para mim. Do apoio que me davas, enquanto amigo. Tenho saudades de ter alguém que se preocupe comigo, que queira estar comigo. Saudades de partilhar a minha vida, como só partilhei contigo. De os meus problemas serem os teus e os teus os meus. Sentir que tinha alguém por perto, que esteja lá. Talvez a culpa foi tua. Deixaste me mal habituado mas Obrigado! Obrigado por uma vez na vida me tenhas feito sentir especial
Sou há um ano. Há um ano estavas a caminho de minha casa, do meu castelo como lhe chamavas. Nesse dia, percebemos também que tínhamos mais uma data em comum, o aniversários dos nossos avôs. Passados dois meses foste, finalmente, conhecer a minha realidade e a minha família. Como eu tinha conhecido a tua.
Confesso que não estava nervoso, porque sabia que todos lá em casa iam gostar de ti. Estavas mais nervoso por ti, por saber o que achavas da minha família e se todas as descrições dela correspondiam à verdade. Sempre soubeste que eles eram as pessoas mais importantes para mim e da minha necessidade constante de voltar às minhas origens semana após semana.
Não sei se era o que esperavas mas sei, e sabes, que as portas daquele “castelo” estarão sempre abertas para te receber. Mesmo que estejamos como estamos.
Gostava de saber o que pensas quando olhas para mim. Se é um sentimento de saudade ou de ódio. Ódio é palavra muito forte mas como tudo entre nós foi vivido tudo ao intensamente que acredito que o possa ser. Se sentes saudades, sentes também o orgulho de não querer ir ter comigo e falar. É muito mais fácil parecer bem do que realmente enfrentar o “touro pelos cornos”. Contudo, essa saudade pode ser colmatada por uma visita ao meu perfil de Instagram, na qual não segues mas que fazes questão de ir lá! Confesso que também vou ao teu. Para saber de ti! Porque confesso que ainda tenho um carinho por ti. Não como era. Nem nunca será, porque há “feridas” que nunca serão curadas. Mas tenho saudades tuas. De saber como estás. E vou sabendo, por outros, que estás bem. Ou queres parecer bem. Porque sei que estavas bem comigo. E era genuíno!
Espero saber de ti o mais rápido possível. Espero não ser mais um número de telemóvel (se é que ainda o tens). Um dia espero que tenhas a coragem de me vir falar porque sabes que não o irei fazer. Já o fiz demais! Já tentei resolver o que havia para resolver. Sê, acima de tudo, feliz. Sem mim, se é assim que te faz feliz.
Aproxima-se o dia em que somos finalistas, ou aliás, em que eu sou finalista. Porque tu fizeste questão de chumbar, de forma consciente e sem tentar. Mas isso não me compete a mim criticar. De todas, foi a única pessoa que não dei fita. E eras o primeiro na lista. Apaguei o teu nome mais de 20 vezes, e voltei sempre a escreve-lo. Porque ainda tinha esperança que até muita coisa mudasse. Não de sermos o que éramos. Aliás, de sermos o que éramos antes de sermos o que fomos. Tenho pena que não faças parte deste momento tão importante. Porque foste a pessoa que mais marcou o meu percurso académico! Tenho a tua fita guardada. Escrevo na preta as memórias más na esperança de um dia voltarem a ser boas!
Ao ver-te já não penso eu ti como amigo, mas como pessoa. Pessoa que é capaz de tudo para agradar, como sempre aconteceu. Pessoa que ainda conheço e que por isso sei no que pensa. Apesar de já não te ver como amigo, continuas a ter alguma, mas não muita, em mim. E por isso ainda que desiludo com algumas atitudes tuas. Porque acreditava que te conheci. E as atitudes que tens agora não vão ao encontro daquilo que eras, daquilo que falavas.
Deixei-me de comparações porque no fundo sei o que fui para ti e que sei que nunca te esquecerás disso. Daqui a uns tempos olharás para mim com um misto de saudades como olhas para outras pessoas agora. Talvez seja tarde demais. Mas o orgulho tem destas coisas.
Acredito que estejas feliz, por acomodação, por teres a atenção de alguém. Mesmo que não seja da pessoa com quem mais te identifiques. Mas faz-te sentir bem, como precisas. Quero que sejas realmente feliz, com quem realmente gostes. Que cumpras os teus objetivos. Que penses em ti. Acima de tudo.
Talvez, um dia, a vida se encarregue de nos voltar a ver, a juntar. A sentir o que sentimos.
“…and then, I have nature and art and poetry, and if that’s not enough, what is enough?”
~ Vincent Van Gogh
(via wonderlandrealness)

